"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"

(Sttela Vasco)





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aqueles três quartos

Eu precisava desabafar, colocar tudo isso que está me corroendo tão severamente para fora. Minha família não merece o meu mau humor, a minha falta de fé ou o meu negativismo. Meus amigos não merecem se sentir culpados por estarem felizes. As pessoas não devem ter medo de dizer o quanto estão felizes só porque estão perto de mim e com medo que isso me magoe. Confesso, não sou inabalável. Porém não sou tão frágil quanto aparento ser. Eu deixo a tristeza vir, eu deixo que ela me sufoque só para depois poder rir, só para depois sentir um pouco mais de graça ao viver. O problema é que, a cada baque, eu vou ficando mais fria e, cá entre nós, eu odeio ser fria. Então dedico o meu amor a causas que eu acredito que valem a pena lutar. Só que, mais uma vez, a minha família não merece isso. Quem me ama não merece isso. Eles me dão motivos para ser exorbitantemente feliz, mas ainda assim eu prefiro me deixar abater pelo único motivo que me entristece. Eu sempre serei romântica, apaixonada, sonhadora, mas ninguém mais vão saber disso. Eu não vou mais deixar que coisas tão miúdas causem tamanho estrago dentro de mim. Sou egoísta. Egoísta por não admitir e agradecer todas as bênçãos que tenho, mas por que não consigo me sentir completamente feliz? Qual é o problema comigo? Será que mais alguém já se sentiu assim? Desse jeito meio três quartos feliz e um quarto triste? Será que alguém já sentiu que esse mísero um quarto afeta muito mais do que deveria? Isso está me consumindo, eu estou me deixando consumir. Vou deixar o monstro me engolir, vou me manter só no escuro, vou chorar em silencio e deixar inúmeros nós se atarem em minha garganta, vou fazer tudo isso. Vou fazer tudo isso só para depois poder levantar e dizer: estou forte o suficiente agora, pode mandar a próxima surra. Porque, mesmo se eu sangrar, mesmo se eu estiver beirando à desistência, eu vou implorar por mais. Porque, apesar de doer, isso me traz força e faz com que eu me sinta mais viva do que nunca. Pesso não estar bem agora, mas vou ficar. Eu paro, dou um tempo, mas eu sempre volto. E o mundo inteiro vai ouvir a minha voz quando eu decidir voltar. No momento preciso de uma trégua, um descanso. Preciso me isolar, preciso de um café bem forte, algumas doses e muito chocolate. Preciso chorar, preciso me entregar outra vez para a música, preciso me afastar e buscar devolver a quem eu amo toda a felicidade que me dão. Preciso recompensá-los e amá-los ainda mais. Pode ser que isso aconteça amanhã, pode ser que leve um tempo. Talvez até mais, ou até menos, do que eu esperava. Mas eu volto. Esperem para me ver ressurgir das cinzas mais uma vez. E aguardem para ver mais um novo lado dessas múltiplas facetas que eu tenho em meu poder. Porque eu posso não usar máscaras, mas eu me camuflo sempre. Desculpem-me, foi apenas um desabafo.
(Sttela Vasco)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aos meus anjos, com amor.

Bênçãos caindo, emergindo através dos céus e pairando sobre si. Ela tem anjos ao seu lado. Brincalhões, risonhos, travessos. Não é multidão, mas, com suas asas miúdas, carregam-na pelos ares. Ela sorri e sapateia entre nuvens, não há o que temer, seus anjos estarão ali para defendê-la. A postos, munidos de sua ternura e de um amor interminável por aquela criatura humana, frágil e graciosa. Criaturas celestiais dançando em torno de si ao som da mais bela harpa que ela dedilha entre as mãos pequeninas. Ela sorri, os olhos estão fechados, eles não podem ver, mas ela pode sentir. Ela sente a presença, sente o bater morno de uma brisa leve em seus pés descalços, sente seu vestido correr em linha solta pelo piso frio e empoeirado. O filete solar que transpassa as cortinas lhe proporciona luz o suficiente. Ela seria bela se não fosse perfeita por ser quem é. Rosto miúdo, boca pequena, um franzir na testa e os cabelos caindo em um delicado serpentear por toda sua costas. Menina marota faceira, mulher maliciosa. E os anjos ali estão contemplando cada movimento seu e prontos para ampará-la. Ela não sabe, mas todos eles carregam em si um pedacinho dela e ela carrega fragmentos deles em cada centímetro de seu. Estão unidos a ela, mas de uma forma muito mais complexa do que poderiam as mortais mentes céticas pensar. É um amor cego, imperceptível até o momento em que se necessite, é uma loucura apaixonada. Unem-se a ela com suas almas e corações, suas vidas há muito estão entrelaçadas, mesmo antes de qualquer um deles imaginar. Ela os protege, os mantém guardados como a um tesouro valioso. Eles a defenderiam com suas vidas. Anjos caídos que acidentalmente passam-lhe pelo caminho, ela os refaz em graça e luz e os traz para junto de sua áurea iluminada, branca, branda. Ela tem esse dom, ela aproxima, chama, une, renova. E eles a agradecem da maneira mais nobre. Acariciam-lhe as mãos quando estas já estão doloridas, erguem-lhe a cabeça quando esta teima em baixar, traçam suas pegadas para que ela não corra riscos e entregam-lhe todo o afeto existente em seu íntimo. Dedicação mútua. São mais do que amantes, são mais do que irmãos. São seus anjos, seus seres alados que a fazem sorrir e secam-lhe as lágrimas, seus amores que ela cultiva tão bem. São únicos, são eternos. São presentes que alguém trouxe, e que, mesmo se forem embora, deixarão suas pistas para que ela não fique desamparada. São um alguém sem nome por simplesmente não haver nome para defini-los, mas aos quais nós, humildemente, chamamos de amigos. (Sttela Vasco)

domingo, 27 de novembro de 2011

Um cigarro apagado em uma noite tipicamente urbana, saltos carregados, maquiagem borrada. Subiu a pé toda a Brigadeiro Luís Antônio. O frio da madrugada só não era pior do que o frio da manhã que estava por vir. Alguns vagabundos bêbados gritavam ao longe, ela se encolhia um pouco por frio e um pouco por medo. Sua companhia era sua sombra, falava sozinha só para poder falar. Preferia admitir a loucura à solidão. Viu distante a placa apagada indicando que estava próxima ao metrô, agradeceu em seu interior por sobreviver até ali. As pessoas não imaginam como ruas noturnas podem ser assustadoras, ainda mais para uma garota mal vivida e inexperiente. A bolsa vermelha pendia em seu ombro, dentro dela uma identidade que não era sua, algum dinheiro, o batom que roubara da mãe e os cigarros. Seus pés doíam, seus dentes batiam e todo seu corpo estava prestes a tremer em espasmos incontroláveis. As escadas cinzentas reuniam todo o tipo de lixo em suas arestas, ela pisava com cuidado. O efeito do álcool não havia cessado completamente, ela ainda estava atordoada. Observou a velha catraca engolir seu último bilhete e pôde ouvir o som de mais um trem chegando. Correu e tropeçou pelo caminho, sentia os joelhos ardendo, mas não desistiu de entrar no último vagão. As portas estavam para fechar e, em meio ao seu próprio caos, os belos sapatos caíram de seus dedos. Pensou em voltar, mas acovardou-se e sentou-se em um dos bancos de tinta descascada. Um solavanco e deixava estação para trás. Observava o par de calçados que jaziam junto à plataforma enquanto os pilares cinzentos davam lugar às paredes escuras de um túnel qualquer. Com sorte chegaria antes de o total amanhecer, com sorte seria a gata borralheira de um conto atualizado e um rapaz bonito devolver-lhe-ia os sapatinhos abandonados. No entanto, se tivesse sorte não precisaria que alguém os devolvesse. Deixou a cabeça tombar e encostar-se ao vidro embaçado da janela, não sabia o que fazer, era uma garotinha vestida de mulher. O Sol nascia, mas ela não conseguia achar mais graça naquilo, o céu camaleão, uma vez tão peculiar, já não a emocionava. Algumas pessoas compartilhavam da sua solidão ou, então, curtiam o sabor do próprio isolamento. Uma mulher de pernas inchadas e cobertas por uma meia fina arrastava uma sacola de feira, uma criança resmungava sonolenta no colo da mãe, um homem dormia com a boca aberta e outro segurava um jornal, um garoto sorria de olhos fechados com fones presos aos ouvidos e ela... Ela estava ali, ela era um ser vivo e observador, procurava entender quem eram aqueles indivíduos e por que dividiam aquele momento com ela. Ela ainda respirava, mas sua face estava imóvel. Se ainda houvesse sensibilidade em si estaria chorando, porém, há muito recusara entregar-se à tamanha fraqueza. Pode ouvir os freios gritarem pouco antes de a porta abrir e ela saltar daquela pequena fatia de vida desprezada. Caminhou até chegar a alguma rua conhecida e, depois de chegar, continuou caminhado. Perambulou por todos os cantos até chegar a sua casa. Estava exausta, faminta, sonolenta. Jogou a bolsa no sofá remendado e caminhou em direção ao banheiro. Não se importou em molhar o vestido, deixou a água cair por toda a extensão de seu corpo e, então, fechou o chuveiro. A peça de roupa ensopada permanecia sobre o box, enrolou-se em uma toalha felpuda e deixou-se cair sobre a cama. Talvez mais tarde organizasse seu quarto, seus planos e sua vida, mas, agora, naquele momento exato iria adormecer ouvindo a voz estridente de alguns vizinhos e seus pandeiros desafinados. Era o fim da noite para ela e o começo do dia para todos os outros. (Sttela)
O relógio marca 07h30min, uma luz branca ultrapassa as cortinas, os corpos ganham vozes e as ruas ganham vida. Seus olhos, meus olhos e todos os olhos abrem-se lentamente. Ela estica os braços ao longe. Toca o próprio rosto e confere se tudo o que sonhou não se transpôs para a realidade. É uma garotinha. Os cabelos longos, negros, caem-lhe na face, os pezinhos miúdos encontram os chinelinhos largados ao chão. Em sua mente novata não há muito que fazer. Ouve cantos ao longe, fecha os olhos e imagina estar em outro lugar. É miúda, silenciosa, inofensiva. Não passa de uma rapariga curiosa. Tudo ao seu redor volta a ganhar cores. O silêncio do sono e dos quartos inabitados abandonam o ambiente, mais uma vez ela ficará só. Uma senhora a vê e sorri chamando-a com os braços. Ela nada diz, caminha ao encontro da doce figura que lhe acena. É preciso ser bem educada, disse-lhe a mãe uma vez. Não há nada de novo, pela janela ela percebe as margaridas nascendo no canteiro, segura seu impulso de correr até elas e arrancar-lhes uma a uma apenas para cumprir seu capricho e formar um buquê. Lá fora, um par de olhos de vidro a acompanha. Sorriso franco, lábios vermelhos, cabelos perfeitos caindo em caracóis pelo corpinho de pano. Ela agarra as mãos frias de porcelana de sua velha companheira. Mais dia menos dia irá abandoná-la, irá crescer. Perceberá que o grande pedaço de terra é, na verdade, um tabuleiro abandonado onde brota o que quiser e que a simpática amiga que tanto lhe achega são apenas cacos pintados e enfeitados ao gosto de alguém. Mas isso não lhe aborrece ainda. Sua mente infantil preocupa-se apenas em não sujar muito o vestido ou não se esquecer de alimentar alguns cachorros fictícios. Tem um encontro com amigos imaginários e, enquanto os aguarda, pode sentir o cheiro de pão fresco invadir o ar, ainda não descobriu a singularidade do café. Respira fundo, pisca algumas vezes e joga os braços para o ar. Começa a rodar impaciente, roda e vai trançando pequenos círculos na poeira. Os sapatos pretos e envernizados logo perdem o brilho. Ela para, sente-se zonza e deixa-se cair ao chão. Para ela, a vida não vai muito além dali. Nada pode ser melhor do que estar ali. Alguém grita seu nome com força. Ela levanta, sacode cada pedaço da roupa engomada e dá pequenos tapas nas partes onde as manchas marrom permanecem. Os dias seguintes serão iguais, sua vida será igual até que ela abandone os sapatinhos. Até que ela simpatize-se com o líquido preto de cheiro forte que enche o bule todos os dias, mas que, por enquanto, ela não vê. Até que os espaços lhe pareçam menores e ela compreenda a ausência e entenda porque a suave senhora ainda está presente com seu avental amarelado, seus chinelos de pano e seu cabelo em coque. Até que ela perca a face pueril e ganhe elogios de poucos homens que por ali passarem. Ela ainda não compreende, nem imagina. Com algumas temporadas a mais talvez comece a notar, porém, por enquanto, tudo o que se faz importante está ali naquele pequeno quintal gigante. (Sttela)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Amigo.

Maroto, brincalhão, arruaceiro, desajeitado, atrapalhado. Do seu jeito, você sempre esteve aqui. Sempre esperando, sempre se fazendo presente e, mesmo sem poder responder, sempre me ouviu. Eu nunca percebi o quanto você era importante, o quanto eu sentiria, mas essa ruptura se fez necessária. Eu não soube corresponder, eu não soube cuidar e machuca enxergar os erros que eu não soube consertar. Você ofereceu amor, amizade, companheirismo e eu não o retribuí à altura. Agora deixo você ir, deve ser a minha primeira demonstração de amor então. Te liberto e te entrego uma vida que, creio eu, será melhor. E, por mais que doe tão profundamente, eu sei que é o melhor a ser feito. Vou sentir sua falta, vou perceber que você era parte fundamental do meu dia-a-dia sem eu nem mesmo notar, vou remoer o fato de não ter dado meu máximo e terei que engolir o sabor do fracasso ao notar que você não está mais ali me esperando. Mesmo quando eu não te dava atenção, mesmo quando eu apenas acenava de longe, você esteve ali e o máximo que eu fiz foi observar. Eu vi você chegar e vejo você partir, eu deixei isso acontecer, deixei você ir. Talvez, só dessa vez, eu esteja acertando. Talvez, você entenda as minhas razões e me perdoe. Vou olhar sua foto e lembrar o seu jeito maluco, um pouco estranho, mas todo seu. Só desejo que sejas feliz, só desejo que façam por ti o que eu não fiz, pois eu sei que mesmo longe você jamais deixará de ser o que é, jamais será substituído e será sempre meu. Meu amigo. Beijos, Sttela.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ele. Ela. Ambos.

As mãos estavam frias, o copo gelado suava entre seus dedos e ela ria. Ria com o rímel escorrendo pela face dura, preferia rir a chorar.
Foi fumar do lado de fora, uma vista para o céu convidava a erguer os olhos. Não conseguia ficar na presença dela, não era mais capaz de impressioná-la. Não era capaz de impressionar a si mesmo.
Encobertos pela noite, escondidos pelo vício, sem saber, completavam um ao outro.
_Você não vai?
Ela, então, apareceu. Descalça, desarmada, desnuda.
_Pensei em ficar.
Ela se aproximou.
_Então eu vou?
Ele não a olhou.
_Pensei em você ficar.
Ela quis sorrir, recuou. Um sorriso é o primeiro passo para se arriscar.
_E como ficaríamos?
Ele estendeu uma das mãos, ela aceitou. Uniu os dedos em nós e aproximou-os de seu peito.
_Juntos.
Respondeu.
Puxou-a para mais perto, beijou-lhe os negros cabelos que quase cobriam a face delicada e a envolveu com o lençol.
_Juntos.
Repetiu baixinho, mas alto o suficiente para acreditar.

domingo, 10 de julho de 2011

Todas as formas de amar.

Um salve ao amor em todas as suas formas, cores, línguas e jeitos. Amor é amor, independente de sexo ou cor. Por que certas formas de amar são tão recriminadas? Ora, não são elas amor do mesmo jeito? Crime? Pecado? Quem ama quem carrega dentro de si um sentimento tão nobre não pode ser criminoso, não pode ser pecador. Amar vai além de corpo, vai além do gênero. Amar é espírito, é entrega. Amar é ser complemento de outro e completado por ele, amar é estar presente, é ajudar nos momentos mais terríveis e celebrar até mesmo os insignificantes. Por que então recriminar o amor? Cada um entrega seu amor a quem quer homem ou mulher. Repugnar alguém por causa de quem ele ama, esse é o verdadeiro crime, o verdadeiro pecado. Há quem alegue que Deus fez o homem e a mulher, logo, esses dois devem se unir e quem pensar em desejar o contrário estará contrariando a Deus, mas é aí que chega a incoerência, a contradição. Se uma pessoa ama outra do mesmo sexo é porque Deus permitiu, assim Ele a fez. Provavelmente Deus deve estar muito mais entristecido e preocupado com quem pratica o mal do que com quem ama. Deixem as pessoas livres, deixem que elas sejam felizes. Preconceito, ódio, raiva. Será que ninguém nunca parou para pensar que esses sim são os pecados? Por que esses sentimentos são aceitáveis e o amor não? Mentes abertas, corpos livres. Não importa se for por alguém do mesmo sexo, mas sim que haja amor. A grande lição é respeitar, respeitar o amor em todas as suas formas de amar.

domingo, 3 de julho de 2011

...

Conversei hoje comigo mesma e as conclusões que tirei assustaram-me.
Eu percebi que criei um universo à minha volta só para não me deixar envolver com ninguém e o pior disso é que eu não sei exatamente por que ele começou.
Eu percebi que me apego a diversões tolas só para não admitir que estou sozinha.
E eu descobri.
Descobri que não sei como cativar as pessoas, não sei como tornar-me especial para elas ou torná-las especiais para mim, talvez eu devesse me abrir um pouco mais.
Eu criei uma barreira, um escudo e, por mais que eu queira, ele insiste em não se desfazer.
Chega um momento em que todas as palavras me parecem poucas, vazias. É como se a minha mente devaneasse entre o que vivo e o que eu desejaria viver. Entre o que eu sou e o que eu gostaria de ser.
Por mais que exista um sorriso eu ainda consigo sentir as lágrimas que, constantemente, querem vir à tona. Lágrimas que vem, vão e não decidem o que expressar.
Eu sinto que a confiança passa por mim, rela meus dedos e vai embora. Eu sinto que os sentimentos correm ao meu redor sem estar realmente comigo.
A insegurança abala cada parte da minha frágil estrutura e, por mais que eu não queira admitir, preciso de novos alicerces. Gostaria de saber onde eles se encontram.
Nesse momento gostaria de estar em outro lugar, ser outra pessoa. Nesse momento queria ser passageira de um dos vários aviões que cruzam esse céu todas as noites.
É egocentrismo reclamar, quase um pecado. Mas o que se pode dizer quando não se está feliz? Onde eu posso encontrar um vestígio da felicidade?
Eu estou perdida, cega diante aos fatos. Talvez uma mão amiga pudesse me conduzir até o lugar ideal, até as pessoas ideais. No momento, não tenho nada disso e tudo que tenho não possuo, pelo menos não verdadeiramente.
As coisas são areia entre meus dedos e eu sou areia entre todos os lugares que passo. Eu fico o tempo necessário, mas sempre acabo indo embora com o primeiro sopro de vento.
Eu nunca fico o tempo necessário para me envolver e, lentamente, me afasto antes de poder magoar alguém ou alguém me magoar.
Já tentei criar tantas personagens para mim, tentei adequar-me a elas e assumir suas vidas, mas nenhuma me coube perfeitamente. São como trajes mal feitos que, mesmo com uma costura forçada, não se adaptarão. Talvez eu tente novas facetas, talvez eu acabe por assumir a minha estranha personalidade.
Não sei e as palavras, antes tão fartas, agora terminaram e eu já não sei o que fazer. Se não consigo expressar-me através das palavras como me expressarei?
Há quem faça isso muito melhor e com muito mais facilidade do que eu. Ah! A essas pessoas eu invejo, mas as invejo de uma maneira amena, sinto-me orgulhosa por quem elas são, mas me deprecio porque sei que assim não serei. Assim não serei jamais.
E eu já não mais o que falar, mas eu sei que ainda há muito mais para sentir.
Muito mais para sentir e eu não sei explicar.
E eu não sei explicar.
Eu não sei explicar.
Não sei explicar.
Sei explicar?
...

domingo, 5 de junho de 2011

A arte que eu não sei fazer.

Certas pessoas nascem com um jeito único, encantador.
Certas pessoas são singulares em todos seus atos.
Certas pessoas são encantadoras por sua simplicidade.
Certas pessoas me encantam.
E eu achava que sabia, sabia demais, sabia de tudo.
E eu achava que sabia o que eu era e o que eu queria.
Mas nessa noite fria, nessa cama sem cobertores e com essa xícara vazia, nessa noite eu percebo que eu não era nada de mais.
Mas isso não faz com que eu seja de menos.
Eu não sei o que é a arte, mas crio desculpas para cada uma das que eu não sei fazer.
Pés atrapalhados para dançar.
Dedos cegos para tocar.
Mente pouco criativa para pintar.
E ainda me resta compor, e ainda me resta atuar.
E ainda me resta...
E ainda resta eu me conformar.
Eu sou tão pouco perto de tudo que percebi que é possível ser.
Eu sou tão vazia. Eu sou tão banal.
E então eu observo, observo essas pessoas maravilhosas, encantadoras. Pessoas que eu gostaria de ser.
Então eu me conformo, me torno parte do público, me engrandeço dentro da minha própria miudeza. E percebo.
Percebo que não sou eu. São elas.
São tais pessoas singulares. Eu sou plural.
Eu sou verbo infinitivo, elas são pretérito mais que perfeito.
Eu sou ela já foram. E tudo o que eu poderei ser elas são hoje.
E eu imagino quanto tempo falta, quanto tempo falta para eu ser o que eu devo ser.
E eu percebo mais uma arte que não sei fazer.

Um beijo, Sttela.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Porque, antes de ser santa, eu pequei.

Não é comum ao ser humano assumir seu passado uma vez que esse não foi glorioso.
Não é comum aos bons assumir seus erros.
Não é comum aos santos assumir seus pecados.
Eu devo, então, ser um tipo distinto. Uma espécie de “novo santo”. Extremamente novo já que, ao contrário do significado ao qual a palavra remete, a minha santidade não envolve preceitos religiosos.
Sou alguém. Alguém sem fama, sem votos, sem ritos. Alguém que costuma fazer mais o certo do que o errado, isso partindo de um ponto de vista específico sobre certo e errado.
Qualquer vício seria um erro?
Uma noite fora, um caso a mais, uma dose extra... Erros?
O que é o erro, o que é o acerto?
Eu até poderia definir cada um, criar uma lista para certo e outra para errado, mas esse não seria nada além do meu modo de ver. A verdade é que o certo e o errado dependem de quem analisa o que seria quase como a beleza, talvez de uma maneira um pouco mais complicada.
Mas nascemos com regras e padrões embutidos, pequenos “brindes” da sociedade. Sem querer acabamos criando uma “balança social” para o certo e o errado.
E é por ela que eu julgo a mim mesma.
Eu, ao todo, não sou santa. Eu, ao todo, não sou pecadora. Eu não sou parte de uma e parte de outra. Eu sou uma mistura de ambas. Eu sou o que, no fundo, toda mulher é.
E como toda mulher, eu escolho. Certas horas eu prefiro a santa. Certas horas eu prefiro a pecadora.
Ultimamente eu tenho escolhido mais a santa. Talvez seja um desafio, fazer tudo “certo” requer muito mais trabalho. Talvez seja uma opção subconsciente, talvez eu nem saiba o que estou fazendo. E talvez, mas só talvez, eu esteja aprendendo a amadurecer.
Aliás, o que é amadurecer?
Creio estar bem longe da resposta, pois, em relação a esse tema, eu nem sei o que dizer.
Eu ainda estou com meio trajeto caminhado, ainda estou na pendência entre santos e pecadores.
Eu, na verdade, ainda não sei qual sou. E, por essa razão, serei julgada, mas faz parte de toda a construção que me envolve, faz parte.
Eu sei que, antes de ser santa, eu pequei e sei também que ainda irei, apesar de santa, pecar mais. Deve ser essa mais uma das controvérsias da vida, da mulher, da maturidade e do drama. Do drama ao qual estamos constantemente imergidos.
Do drama que é ser santo ou pecador.
Um beijo, Sttela.

domingo, 1 de maio de 2011

Então, aqui posso explanar toda a minha sensibilidade.

Existe uma parte de mim, agora menor e mais calada a qual eu pouco permito se expressar, que toma forma vez ou outra. Parece que esses dias as minhas fraquezas ficaram poderosas e eu não tenho forças para controlá-las. Talvez eu esteja paranóica, talvez seja uma daquelas “doenças da alma”.
Eu sou, por mais que eu odeie admitir, frágil, sensível e fácil de magoar. Tento não deixar transparecer, acabo ganhando o título de tímida por isso. Sou um pouco dura e, às vezes, fria. Tento não demonstrar demais.
Como não posso ser aquilo que sou sempre serei uma faceta bem projetada e minuciosamente arquitetada de mim mesma que me agrade e console. Alguns dos meus instintos são arriscados e são esses os que eu mais uso.
Deixei de pensar, entreguei na mão de alguém que, na minha vida, chamo de Deus. E espero que Ele saiba o que esteja fazendo porque certamente eu não sei.
Eu devo não estar sabendo lidar com a minha própria vida e com tudo aquilo que, de repente, apareceu. As críticas parecem mais rígidas, as pessoas mais agressivas e eu mais sozinha.
Acho que ainda não sou madura o suficiente e, enquanto isso acontece, vou vivendo de um jeito um pouco mais complicado, um pouco menos familiar, mas igualmente meu.
Um beijo, Sttela.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Pedaços perdidos de uma saudade.

O que eu posso fazer se quem eu vejo em meus sonhos é você? O que eu posso fazer se toda a voz que eu ouço penso ser a sua? Não perdi suas manias, não esqueci seu jeito e o seu rosto ainda não saiu da minha mente. O cheiro do seu perfume, a maneira de sorrir cada detalhe tão particular, é eu ainda não perdi.
E eu fico pensando até quando vai durar. Porque eu já sei que você já me substituiu por outra pessoa e eu acho injusto quando paro para pensar que estou sofrendo à toa. Enquanto você vive, eu relembro e viver de lembranças não é viver. Queria ter controle sobre isso, queria ter o controle suficiente sobre mim para esquecer você.
Disseram que o tempo cura, enquanto eu espero o tempo passar vou revivendo o que, um dia, foi felicidade e que, agora, são apenas memórias, é apenas saudades.
Um beijo, Sttela.

Sonho.

Hoje é um daqueles dias em que não se sentiu bem, algo dentro de si estava fora do lugar, fora de sua rotina. Ela sentiu no começo do dia que, em alguma parte dele, esse sentimento chegaria, e ele chegou. Atravessou o metrô com passos rápidos, apressados chegar a casa logo era o desejo comprimido em seu interior. Resolveu se deixar levar pelo mundo fantástico dos sonhos e teve pesadelos. Entre seus sonhos e a sua realidade teve uma conversa com alguém, um alguém de quem gostava, mas que não a conhecia.
_Por que tão triste? – perguntou o alguém.
_Não sei, não há uma razão. Simplesmente estou.
_Então não posso ir embora...
_Por que não? O dia ruim é meu, não seu.
_Não posso ir e deixar você assim.
_Oh, não por isso. Por favor...
_Só vou se eu souber que você está feliz.
_É... É justo.
O alguém sorriu.
_Se eu sorrir você vai?
E o alguém respondeu:
_Se eu ficar você sorri?
E o sorriso de ambos encerrou a conversa e o sonho também.
Um beijo, Sttela.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Prismas.

Luzes que se uniram, luzes que se perderam. E, ainda assim, todas são luzes. Pode ser que seja mais uma das metáforas da vida, pode ser que seja um jogo de palavras cruzadas que ninguém se atraveu a jogar.
O seu reflexo cruza o espelho, se vê em mil facetas novas, diferentes. Um olhar a mais e percebe o rosto cansado, os olhos vermelhos e as luzes mudando de tom enquanto o Sol passa pelo ambiente.
Um minuto de luz e uma vida de escuridão. Suas opiniões contraditórias, seus pensamentos absurdos, sua loucura interior. E quem poderia entender se não era obrigação de ninguém? Se ninguém era responsável por sua solidão?
Assustou-se com o que percebia conforme olhava para si, havia muito mais por baixo dos sorrisos, muito mais por trás de seu silêncio. E será que alguém sabia? E alguém poderia entender?
E o que chegava até si era prismado, separado, convertido. Nada permanecia intacto, nada permanecia único, nada permanecia seu.
Um beijo, Sttela.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Ela se transformou.

Criança, frágil, iludida, inocente. Um véu bem arranjado para esconder as verdades que, talvez, ela se negava a ver. Negou o tempo que pode, enquanto pode até que a realidade veio se chocar contra ela. E algo mudou em meu interior, algo se rompeu. Os aspectos do mundo ao seu redor mudaram. Sua forma ver, sua maneira de ser, tudo mudou. Os rumos a tomar eram agora novos e ela pensava em como percorrer esse desconhecido todo novo. Alguns medos sumiram, outros nasceram e pequenas dúvidas, que antes a dilaceravam, são parte do passado. Não há, pois como fugir dos caprichos da vida, ela descobriu isso um pouco depois, e ela teve que se adaptar, se reajustar e fazer de si um novo eu por completo. Ela, então, se transformou. Foi aos poucos, sem se dar conta, transformando-se. Mulher, forte, racional, maliciosa. Sua essência estará sempre ali, sempre guardada em algum canto do seu ser, mas não pode mais ter vazão, não pode mais dominar. A mudança pode ser boa, ela precisava arriscar, o resultado é questão de esperar. Um beijo, Sttela.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Eu sou o vento

Eu sou livre, ninguém pode me conter. Meus cabelos soltos, caindo aos sombros revelam a vontade do meu ser. Livre, sem mais delongas, sem mais hesitação. Tudo o que antes me prendia eu fiz questão de abandonar, só sei seguir meus próprios instintos e apenas os meus desejos irão me guiar. Sou livre, de espírito e de pensamento,não há quem possa me deter. Sou vento, sou brisa, sou tufão eu sou uma figura única de minha própria confusão. Sou vento, livre e que liberta. Pelas minhas mãos tudo apenas passa, não há nada que eu guardo para mim, não posso guardar o que não é exclusivamente meu. Não sou dona de nada, meus pés no chão são a minha única posse e a terra onde piso é apenas mais um pedaço de chão onde deixei minhas pegadas. Sou vento, sou sopro de música em meio ao silêncio noturno, sou melodia lenta e preguiçosa de uma gaita envelhecida, sou simples, sou complexa. Sou vento, inconstante, indefinido, incansável, invencível. Ergo meus braços para o alto e danço conforme a vida toca sua sinfonia, não sou maestra de meus atos, mas sou guia dos meus sonhos. Meu coração é meu leme, minha fé é meu escudo, minha mente é minha bússola e eu... Eu sou o vento. Um beijo, Sttela.
PS: A intenção não é entender ou interpretar, a intenção é apenas ler e a mente libertar. (Rimas queridas que vêm sozinhas)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Eu não sou fácil de lidar, isso eu posso admitir.

Pediram para que eu me descrevesse dia desses, preciso admitir que eu odeio quando me pedem isso, sempre fico atrapalhada, gaguejo, minhas palavras não têm coerência entre si e acabo decepcionando quem me escuta. Eu não sou fácil de lidar, isso eu posso admitir. Eu tenho ataques de pânico ao meio dia em uma rua cheia de pessoas, mas caminho pelas ruas desertas da noite. Eu acordo sorrindo, mas isso não dura muito. Creio que os mais velhos me chamam de rabugenta e os mais novos de antipática, isso não é problema. Eu sou séria, quieta e, para todos os efeitos, tímida. Eu tenho mania de ler, gosto de filmes antigos e meu estilo musical permanece indefinido. Não sou excêntrica, mas não sou comum. Muitos simplesmente não suportam a maneira com que eu vejo as coisas, mas nem por isso vou fingir ter a mesma opinião que eles. De certas questões sou convicta, mas deixo-as para mim. Quem me ama aprendeu a lidar com esse meu jeito, quem me aceita sabe que eu sou, apesar de tudo, muito boa companhia e quem convive comigo aprende que eu sou bastante maleável quando quero ser. Não sou uma incógnita ou um mistério e não vou dizer que sou um conceito. E é um tanto inútil eu mesma querer me descrever já que há coisas sobre mim que só quem me conhece poderia dizer com precisão. Eu sou isso o que os seus olhos vêem e um pouco mais, eu sou o que tenho para mostrar, mas preciso admitir... É eu não sou fácil de lidar. Um beijo, Sttela.

Eu posso ficar ao seu lado

Você me pergunta o que eu faria por você, me questiona até onde eu iria e quer saber até que ponto vai o meu amor. Você me pede para não lhe abandonar, mas diz que não acredita no meu amor. Você quer provas, quer que eu demonstre o sentimento, olha vou lhe falar sentimento como esse não se pode demonstrar. Eu posso não compor uma canção, posso não ser o poeta perfeito, eu posso não lhe mandar flores todos os dias e até ter uma forma bem singular de amar, mas eu posso ficar ao seu lado. Você diz que não entende o meu jeito, que não sabe por que insiste nisso e que procura alguém melhor do que eu. Eu não chego a demonstrar, esse é o meu jeito de amar e se não lhe satisfaz eu não sei o que fazer. Eu posso não fazer tantas loucuras, posso ser bem menos do que você assiste em seus filmes, as canções podem ser esplendorosas perto de tudo que eu falo, mas eu posso ficar ao seu lado. E quando você precisar, enquanto precisar eu vou estar aqui. Porque, na minha forma de amar, eu não preciso de muito mais. Eu só preciso que você fique aqui, fique ao meu lado. Um beijo, Sttela.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Encontro de mentiras

Passava ao longe pelo corredor de gente que se formava em sua frente naquela grande calçada, era mais um dia, mais um dia comum. Pelo menos era isso que ela pensava, seria um dia comum se ele não tivesse parado em sua frente, cercado de garotas como sempre.
Ele sorriu, beijou a bochecha de cada uma delas, seus olhos azuis complexos pareciam tranqüilos. Ele passou a visão pelo lugar e, então, a encontrou. Meio de cabeça baixa, meio imperceptível na multidão ele a encontrou.
Despediu-se das meninas que o rodeavam e aproximou-se dela. Falou um bom dia sorridente e animado, estava de bom humor. Ela demorou para responder e, quando o fez, respondeu com um oi tímido.
_O dia está muito bonito para você ficar com essa cara fechada. –ele disse ainda sorrindo.
_Verdade. Acho que eu gosto de ser do contra...
_Como, por exemplo, não sorrir em um dia de Sol e céu límpido?
_Como, por exemplo, não me debruçar em você pedindo um pouco de sua atenção. Como elas... – apontou com os olhos para as garotas que há pouco ele abraçava.
_Entendo... Você gosta de ser diferente, mas será que é mesmo? Ou será que só se faz de durona?
_E por que eu faria isso?
_Ah, você sabe, para não ser igual a elas. Para não confessar que gostaria de receber um abraço meu em um dia como esse.
_Realmente, é uma boa teoria.
_Não é?
_É... Pena que seja falsa. Já que eu não gostaria de receber um abraço seu.
_Não mesmo? O seu corpo todo se convida para um abraço meu até mesmo seu jeito que tem a intenção de me afastar. O seu jeito me aproxima.
_Acho que é hora de você voltar para suas amigas.
_Ficou com medo da verdade?
_Não, já que, como eu disse, não é a verdade. Suas fãs estão encarando, só isso.
_E ela te intimidam?
_Não muito, só o suficiente para eu detestar olhar para a cara delas.
_Elas são apenas amigas, não há porque se intimidar.
_Todas as meninas têm ciúmes de você, elas acham que pelo menos um pedaço seu pertence a elas.
_E você? O que acha?
_Eu? Eu não gosto de pedacinhos.
_Isso é bom...
_É bom?
_Sim. Porque não sobrou nenhum para você.
_Isso é bom. Já disse, não gosto de pedacinhos.
Ele voltou para suas garotas, ela começou a caminhar novamente pelo corredor de gente que se formava a sua volta. Ambos sabiam, mas não admitiam: pertenciam um ao outro, em todos os seus pedacinhos.

O amanhecer

Eu vejo a madrugada se alterar, vejo suas cores frias se transformarem e transcenderem do azul claro ao escuro e pequenos traços arroxeados. Eu vejo o Sol emergir das profundezas da escura noite e tingir o céu com um tom rosa alaranjado até se colocar onipotente sob todos que necessitam, mesmo sem saber, dele. Eu ouço os pássaros sonolentos proferirem os primeiros cantos da manhã, e o resto todo ganha vida e o resto todo acorda outra vez. Com sorte um galo canta ao longe, mas não longe demais para que meus ouvidos não o ouçam. Eu paro, respiro fundo e reflito. Ah, o dia! Belo com suas aquarelas distintas e leves com nuvens espalhadas por sua extensão. Meus olhos mareiam, ainda é o começo da manhã, repasso a agenda mental que havia programado durante a noite e penso em tudo que vai mudar, e acontecer, no decorrer daquele dia, desse dia. Uma borboleta amarela passa pela minha janela e migra em direção ao canteiro de rosas, os carros começam a buzinar ao longe, algum avião passa com seu destino por mim e eu imagino para onde estaria indo. O céu já se metamorfoseia novamente e eu preparo-me para mais um dia. É, novamente, o amanhecer. Um beijo, Sttela.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Meus sonhos.

Percebi que eu sonho mais acordada do que dormindo. Descobri eu tenho sonhos loucos, malucos e que, logo de começo, eu acredito cegamente neles, mas depois eles vão perdendo a força e eu vou deixando seus pedaços espalhados pelos ladrilhos por onde piso. Todos devem sonhar, é o que dizem. Os sonhos são a maior prova de que, com fé, tudo é possível. Eu tenho fé em meus sonhos, coloco toda a minha alma neles, mas pena que isso dure uns poucos dias apenas. Devo ter problemas em manter a fé. Como se faz isso? Como se mantém viva aquela vontade de realizar um sonho por anos a fio?Infeliz não é aquele que sonha demais e sim aquele que não se permite sonhar. A vida não pode ser apenas realidade, todos nós precisamos de momentos de ilusão, momentos em que tudo pareça perfeito e que nada pode abalar nossa estrutura interior. Eu não sei de que os sonhos são feitos ou de onde eles vêm, mas eu sei até onde eles podem nos levar e o que eles podem fazer por nós se colocarmos um pouco mais de fé. Eu admito: às vezes sonho demais, às vezes faço um completo regresso de minha maturidade em função de sonhos, mas eu sei que é bem melhor ter que acordar e recuperar a maturidade perdida do que acordar e ter que buscar meus sonhos outra vez. Não importa qual seja o sonho tem o valor que nós damos a ele e não o que a sociedade diz ter. Nós ainda não sabemos, mas são os sonhos que conduzem as nossas vidas. Não importa distância, tamanho ou prazo sonhos só podem ser realizados por quem os sonhou. Só você pode fazer com que seus sonhos sejam reais. Você escolhe, pode contemplá-los enquanto observa um céu estrelado numa noite de verão ou pode contemplar os resultados que eles lhe trouxeram. Uma coisa eu digo: ninguém pode tirar seus sonhos de você. Os meus eu vou construindo aos poucos, talvez precise acreditar um pouco mais, me esforçar um pouco mais, mas eu sei que um dia, quando for a hora certa, eles se realizarão. Sonhe você também e, o principal, acredite. Um beijo, Sttela.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Suicidando...

Então você não vê mais razão em viver, sua existência é inútil e você não faz a diferença em absolutamente nada. Então você decide que é hora de morrer, é hora, mas a morte insiste em lhe dizer que não é a sua hora. Então você resolve que vai se matar. Posso pedir um favor? Ora, por favor, você não vai perder nada em fazer esse pequeno favor. Olhe ao seu redor, olhe para tudo que há a sua volta: quando tudo deixou de fazer sentido? Quando a sua vida perdeu o valor? Se foi por um amor que não terminou do jeito que deveria eu preciso dizer, e desculpe se eu for dura demais, não era amor. Isso mesmo. Não era amor, e por mais clichê que isso pareça é a mais pura verdade. O amor, antes de qualquer coisa, não nos faz querer tirar a própria vida, pelo contrário, o amor nos faz querer viver ainda mais. Um conselho clichê, mas digno de ser considerado universal: não se mate. Isso mesmo, não se mate. Nada justifica o ato do suicídio, nenhuma dor é tão grande que justifique finalizar toda uma existência, nenhum fracasso é tão terrível a ponto de não se poder mais viver e, acredite ou não, tudo na vida tem uma solução. Até mesmo os piores problemas, até mesmo as maiores desilusões, tudo tem uma solução. É como aquela velha frase: para todo veneno há um antídoto. E por mais que pareça ditado de avó ou mentira de um povo antigo é assim que a vida funciona. Não se entregue, lute! E a cada momento que você pensar que desistir é a única solução lembre-se da última vez em que se sentiu plenamente feliz, plenamente vivo e subitamente envolto por uma felicidade extrema. Agarre-se a esse momento, por menor que ele seja, e lute. Lute com todas as forças que você encontrar dentro de si lute por outro momento como aquele. Lute por você, por tudo que você ainda pode conseguir se não fizer esse erro. Não deixe que o fracasso sussurre em seu ouvido que você é o perdedor da vez, mostre ao mundo e a si mesmo que você é tudo aquilo que eles achavam que você não fosse capaz e perceba o que há a sua volta. A mudança não vem de um ser divino ou de uma ajuda miraculosa, muito menos de um bilhete premiado na loteria. A mudança vem de dentro para fora, perdão, mas os clichês estão com a razão hoje, a mudança vem de você. Afinal, o maior de todos os erros, o verdadeiro erro, não seria viver e sim escolher deixar de viver e aposto que você não quer cometê-lo. Um beijo, Sttela.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O que falar sobre nós?

Pediram-me pra falar sobre você hoje, como você é, o seu jeito e todas essas outras coisas que eu já sei tão bem. E eu, de repente, não sabia o que falar, apesar de já te conhecer tão bem, apesar de saber cada detalhe de você com perfeição em minha mente eu fiquei muda. O que falar sobre nós? O que mais falar sobre nós? Eu já disse tudo que podia falar. Acho que já cheguei a outro estágio, outro nível do amor... Um nível o qual não se fala mais nada, não há mais nada a se falar, um nível em que a outra pessoa é tudo e tudo não se pode explicar é assim vago, complexo, infinito e com inúmeras interpretações. Então eu olhei para a pessoa que havia me perguntado de você, de como você era, olhei no fundo de seus olhos, sorri e fiquei em silêncio. Eu poderia ter dito: Você sabe o que é estar tão envolvido a alguém que não consegue nem explicar? Sabe como é estar tão ligado a alguém que já não precisa mais nem se lembrar de como a pessoa é, já que cada parte dela já é comum a você? Sabe o que é ser você mesmo sendo que parte sua é a da outra pessoa? Então, é assim que é, mas seria um desperdício de palavras. A pessoa em questão deve ter achado que eu era louca ou que não sabia me expressar, mas eu nunca senti que havia me expressado tão bem quanto daquela vez. Aí você me pergunta por que, por que o silencio soube expressar tão mais e eu apenas respondo que para você não há palavras, me desculpe, o máximo que há é tudo o que eu sinto e isso meras palavras não saberiam jamais explicar. Um beijo, Sttela.