Uma
canção toca no rádio, alguém bate palmas.
Os
saltos da bota traçam um risco no chão. Linha reta. Divisão.
Ela
sobra e empurra os cabelos.
Shorts
rasgados, uma camiseta velha. Uma versão rústica de si.
Ele
cruza o horizonte e o sol transpassa seu corpo.
Assim,
ao longe, parece invencível. Assim, tão heroicamente, ele se torna impossível.
Apoiada
contra a porta, ela é mais um rosto que ele talvez veja pelo caminho.
Junto
á linha do horizonte, ele é a coisa mais bela que ela já viu.
Talvez
ele converse com Deus, porque alguém como ele deve ter um toque do divino.
Ergue
a cabeça em direção ao céu, ele olha para frente.
Ela
prefere vislumbrar o impossível, ele o futuro.
Suas
botas riscam trilhas que serão seu futuro.
Os
cascos imponentes daquela figura manchada de marrom e branco é o que o levará
para longe.
Mas
o longe é o lugar para onde todos vão quando tentam realmente alcançar algo.
O
longe é para onde precisam ir se querem entregar sua vida por algo.
Longe
é para quem quer aquilo que sua raiz não deu.
Longe
é para quem ouve o vento e tenta a ele se igualar.
Ela
é o perto.
Muito
provavelmente ele não volte.
Quando
alguém precisa ir tão distante assim, não há como voltar para o perto.
Voltar
seria arriscar demais.
Ficar
seria perder.
Ela
é o ficar.
E,
por algum outro motivo qualquer que não pode se lembrar, ela vai esperar.
(Sttela Vasco)
(Sttela Vasco)