"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"

(Sttela Vasco)





quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ele. Ela. Ambos.

As mãos estavam frias, o copo gelado suava entre seus dedos e ela ria. Ria com o rímel escorrendo pela face dura, preferia rir a chorar.
Foi fumar do lado de fora, uma vista para o céu convidava a erguer os olhos. Não conseguia ficar na presença dela, não era mais capaz de impressioná-la. Não era capaz de impressionar a si mesmo.
Encobertos pela noite, escondidos pelo vício, sem saber, completavam um ao outro.
_Você não vai?
Ela, então, apareceu. Descalça, desarmada, desnuda.
_Pensei em ficar.
Ela se aproximou.
_Então eu vou?
Ele não a olhou.
_Pensei em você ficar.
Ela quis sorrir, recuou. Um sorriso é o primeiro passo para se arriscar.
_E como ficaríamos?
Ele estendeu uma das mãos, ela aceitou. Uniu os dedos em nós e aproximou-os de seu peito.
_Juntos.
Respondeu.
Puxou-a para mais perto, beijou-lhe os negros cabelos que quase cobriam a face delicada e a envolveu com o lençol.
_Juntos.
Repetiu baixinho, mas alto o suficiente para acreditar.