Certas pessoas nascem com um jeito único, encantador.
Certas pessoas são singulares em todos seus atos.
Certas pessoas são encantadoras por sua simplicidade.
Certas pessoas me encantam.
E eu achava que sabia, sabia demais, sabia de tudo.
E eu achava que sabia o que eu era e o que eu queria.
Mas nessa noite fria, nessa cama sem cobertores e com essa xícara vazia, nessa noite eu percebo que eu não era nada de mais.
Mas isso não faz com que eu seja de menos.
Eu não sei o que é a arte, mas crio desculpas para cada uma das que eu não sei fazer.
Pés atrapalhados para dançar.
Dedos cegos para tocar.
Mente pouco criativa para pintar.
E ainda me resta compor, e ainda me resta atuar.
E ainda me resta...
E ainda resta eu me conformar.
Eu sou tão pouco perto de tudo que percebi que é possível ser.
Eu sou tão vazia. Eu sou tão banal.
E então eu observo, observo essas pessoas maravilhosas, encantadoras. Pessoas que eu gostaria de ser.
Então eu me conformo, me torno parte do público, me engrandeço dentro da minha própria miudeza. E percebo.
Percebo que não sou eu. São elas.
São tais pessoas singulares. Eu sou plural.
Eu sou verbo infinitivo, elas são pretérito mais que perfeito.
Eu sou ela já foram. E tudo o que eu poderei ser elas são hoje.
E eu imagino quanto tempo falta, quanto tempo falta para eu ser o que eu devo ser.
E eu percebo mais uma arte que não sei fazer.
Um beijo, Sttela.