"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"

(Sttela Vasco)





segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Aqueles três quartos

Eu precisava desabafar, colocar tudo isso que está me corroendo tão severamente para fora. Minha família não merece o meu mau humor, a minha falta de fé ou o meu negativismo. Meus amigos não merecem se sentir culpados por estarem felizes. As pessoas não devem ter medo de dizer o quanto estão felizes só porque estão perto de mim e com medo que isso me magoe. Confesso, não sou inabalável. Porém não sou tão frágil quanto aparento ser. Eu deixo a tristeza vir, eu deixo que ela me sufoque só para depois poder rir, só para depois sentir um pouco mais de graça ao viver. O problema é que, a cada baque, eu vou ficando mais fria e, cá entre nós, eu odeio ser fria. Então dedico o meu amor a causas que eu acredito que valem a pena lutar. Só que, mais uma vez, a minha família não merece isso. Quem me ama não merece isso. Eles me dão motivos para ser exorbitantemente feliz, mas ainda assim eu prefiro me deixar abater pelo único motivo que me entristece. Eu sempre serei romântica, apaixonada, sonhadora, mas ninguém mais vão saber disso. Eu não vou mais deixar que coisas tão miúdas causem tamanho estrago dentro de mim. Sou egoísta. Egoísta por não admitir e agradecer todas as bênçãos que tenho, mas por que não consigo me sentir completamente feliz? Qual é o problema comigo? Será que mais alguém já se sentiu assim? Desse jeito meio três quartos feliz e um quarto triste? Será que alguém já sentiu que esse mísero um quarto afeta muito mais do que deveria? Isso está me consumindo, eu estou me deixando consumir. Vou deixar o monstro me engolir, vou me manter só no escuro, vou chorar em silencio e deixar inúmeros nós se atarem em minha garganta, vou fazer tudo isso. Vou fazer tudo isso só para depois poder levantar e dizer: estou forte o suficiente agora, pode mandar a próxima surra. Porque, mesmo se eu sangrar, mesmo se eu estiver beirando à desistência, eu vou implorar por mais. Porque, apesar de doer, isso me traz força e faz com que eu me sinta mais viva do que nunca. Pesso não estar bem agora, mas vou ficar. Eu paro, dou um tempo, mas eu sempre volto. E o mundo inteiro vai ouvir a minha voz quando eu decidir voltar. No momento preciso de uma trégua, um descanso. Preciso me isolar, preciso de um café bem forte, algumas doses e muito chocolate. Preciso chorar, preciso me entregar outra vez para a música, preciso me afastar e buscar devolver a quem eu amo toda a felicidade que me dão. Preciso recompensá-los e amá-los ainda mais. Pode ser que isso aconteça amanhã, pode ser que leve um tempo. Talvez até mais, ou até menos, do que eu esperava. Mas eu volto. Esperem para me ver ressurgir das cinzas mais uma vez. E aguardem para ver mais um novo lado dessas múltiplas facetas que eu tenho em meu poder. Porque eu posso não usar máscaras, mas eu me camuflo sempre. Desculpem-me, foi apenas um desabafo.
(Sttela Vasco)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Aos meus anjos, com amor.

Bênçãos caindo, emergindo através dos céus e pairando sobre si. Ela tem anjos ao seu lado. Brincalhões, risonhos, travessos. Não é multidão, mas, com suas asas miúdas, carregam-na pelos ares. Ela sorri e sapateia entre nuvens, não há o que temer, seus anjos estarão ali para defendê-la. A postos, munidos de sua ternura e de um amor interminável por aquela criatura humana, frágil e graciosa. Criaturas celestiais dançando em torno de si ao som da mais bela harpa que ela dedilha entre as mãos pequeninas. Ela sorri, os olhos estão fechados, eles não podem ver, mas ela pode sentir. Ela sente a presença, sente o bater morno de uma brisa leve em seus pés descalços, sente seu vestido correr em linha solta pelo piso frio e empoeirado. O filete solar que transpassa as cortinas lhe proporciona luz o suficiente. Ela seria bela se não fosse perfeita por ser quem é. Rosto miúdo, boca pequena, um franzir na testa e os cabelos caindo em um delicado serpentear por toda sua costas. Menina marota faceira, mulher maliciosa. E os anjos ali estão contemplando cada movimento seu e prontos para ampará-la. Ela não sabe, mas todos eles carregam em si um pedacinho dela e ela carrega fragmentos deles em cada centímetro de seu. Estão unidos a ela, mas de uma forma muito mais complexa do que poderiam as mortais mentes céticas pensar. É um amor cego, imperceptível até o momento em que se necessite, é uma loucura apaixonada. Unem-se a ela com suas almas e corações, suas vidas há muito estão entrelaçadas, mesmo antes de qualquer um deles imaginar. Ela os protege, os mantém guardados como a um tesouro valioso. Eles a defenderiam com suas vidas. Anjos caídos que acidentalmente passam-lhe pelo caminho, ela os refaz em graça e luz e os traz para junto de sua áurea iluminada, branca, branda. Ela tem esse dom, ela aproxima, chama, une, renova. E eles a agradecem da maneira mais nobre. Acariciam-lhe as mãos quando estas já estão doloridas, erguem-lhe a cabeça quando esta teima em baixar, traçam suas pegadas para que ela não corra riscos e entregam-lhe todo o afeto existente em seu íntimo. Dedicação mútua. São mais do que amantes, são mais do que irmãos. São seus anjos, seus seres alados que a fazem sorrir e secam-lhe as lágrimas, seus amores que ela cultiva tão bem. São únicos, são eternos. São presentes que alguém trouxe, e que, mesmo se forem embora, deixarão suas pistas para que ela não fique desamparada. São um alguém sem nome por simplesmente não haver nome para defini-los, mas aos quais nós, humildemente, chamamos de amigos. (Sttela Vasco)