"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"
(Sttela Vasco)
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Aos meus anjos, com amor.
Bênçãos caindo, emergindo através dos céus e pairando sobre si. Ela tem anjos ao seu lado. Brincalhões, risonhos, travessos. Não é multidão, mas, com suas asas miúdas, carregam-na pelos ares. Ela sorri e sapateia entre nuvens, não há o que temer, seus anjos estarão ali para defendê-la. A postos, munidos de sua ternura e de um amor interminável por aquela criatura humana, frágil e graciosa. Criaturas celestiais dançando em torno de si ao som da mais bela harpa que ela dedilha entre as mãos pequeninas. Ela sorri, os olhos estão fechados, eles não podem ver, mas ela pode sentir. Ela sente a presença, sente o bater morno de uma brisa leve em seus pés descalços, sente seu vestido correr em linha solta pelo piso frio e empoeirado. O filete solar que transpassa as cortinas lhe proporciona luz o suficiente. Ela seria bela se não fosse perfeita por ser quem é. Rosto miúdo, boca pequena, um franzir na testa e os cabelos caindo em um delicado serpentear por toda sua costas. Menina marota faceira, mulher maliciosa. E os anjos ali estão contemplando cada movimento seu e prontos para ampará-la. Ela não sabe, mas todos eles carregam em si um pedacinho dela e ela carrega fragmentos deles em cada centímetro de seu. Estão unidos a ela, mas de uma forma muito mais complexa do que poderiam as mortais mentes céticas pensar. É um amor cego, imperceptível até o momento em que se necessite, é uma loucura apaixonada. Unem-se a ela com suas almas e corações, suas vidas há muito estão entrelaçadas, mesmo antes de qualquer um deles imaginar. Ela os protege, os mantém guardados como a um tesouro valioso. Eles a defenderiam com suas vidas. Anjos caídos que acidentalmente passam-lhe pelo caminho, ela os refaz em graça e luz e os traz para junto de sua áurea iluminada, branca, branda. Ela tem esse dom, ela aproxima, chama, une, renova. E eles a agradecem da maneira mais nobre. Acariciam-lhe as mãos quando estas já estão doloridas, erguem-lhe a cabeça quando esta teima em baixar, traçam suas pegadas para que ela não corra riscos e entregam-lhe todo o afeto existente em seu íntimo. Dedicação mútua. São mais do que amantes, são mais do que irmãos. São seus anjos, seus seres alados que a fazem sorrir e secam-lhe as lágrimas, seus amores que ela cultiva tão bem. São únicos, são eternos. São presentes que alguém trouxe, e que, mesmo se forem embora, deixarão suas pistas para que ela não fique desamparada. São um alguém sem nome por simplesmente não haver nome para defini-los, mas aos quais nós, humildemente, chamamos de amigos. (Sttela Vasco)
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