"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"

(Sttela Vasco)





domingo, 5 de junho de 2011

A arte que eu não sei fazer.

Certas pessoas nascem com um jeito único, encantador.
Certas pessoas são singulares em todos seus atos.
Certas pessoas são encantadoras por sua simplicidade.
Certas pessoas me encantam.
E eu achava que sabia, sabia demais, sabia de tudo.
E eu achava que sabia o que eu era e o que eu queria.
Mas nessa noite fria, nessa cama sem cobertores e com essa xícara vazia, nessa noite eu percebo que eu não era nada de mais.
Mas isso não faz com que eu seja de menos.
Eu não sei o que é a arte, mas crio desculpas para cada uma das que eu não sei fazer.
Pés atrapalhados para dançar.
Dedos cegos para tocar.
Mente pouco criativa para pintar.
E ainda me resta compor, e ainda me resta atuar.
E ainda me resta...
E ainda resta eu me conformar.
Eu sou tão pouco perto de tudo que percebi que é possível ser.
Eu sou tão vazia. Eu sou tão banal.
E então eu observo, observo essas pessoas maravilhosas, encantadoras. Pessoas que eu gostaria de ser.
Então eu me conformo, me torno parte do público, me engrandeço dentro da minha própria miudeza. E percebo.
Percebo que não sou eu. São elas.
São tais pessoas singulares. Eu sou plural.
Eu sou verbo infinitivo, elas são pretérito mais que perfeito.
Eu sou ela já foram. E tudo o que eu poderei ser elas são hoje.
E eu imagino quanto tempo falta, quanto tempo falta para eu ser o que eu devo ser.
E eu percebo mais uma arte que não sei fazer.

Um beijo, Sttela.

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