Conversei hoje comigo mesma e as conclusões que tirei assustaram-me.
Eu percebi que criei um universo à minha volta só para não me deixar envolver com ninguém e o pior disso é que eu não sei exatamente por que ele começou.
Eu percebi que me apego a diversões tolas só para não admitir que estou sozinha.
E eu descobri.
Descobri que não sei como cativar as pessoas, não sei como tornar-me especial para elas ou torná-las especiais para mim, talvez eu devesse me abrir um pouco mais.
Eu criei uma barreira, um escudo e, por mais que eu queira, ele insiste em não se desfazer.
Chega um momento em que todas as palavras me parecem poucas, vazias. É como se a minha mente devaneasse entre o que vivo e o que eu desejaria viver. Entre o que eu sou e o que eu gostaria de ser.
Por mais que exista um sorriso eu ainda consigo sentir as lágrimas que, constantemente, querem vir à tona. Lágrimas que vem, vão e não decidem o que expressar.
Eu sinto que a confiança passa por mim, rela meus dedos e vai embora. Eu sinto que os sentimentos correm ao meu redor sem estar realmente comigo.
A insegurança abala cada parte da minha frágil estrutura e, por mais que eu não queira admitir, preciso de novos alicerces. Gostaria de saber onde eles se encontram.
Nesse momento gostaria de estar em outro lugar, ser outra pessoa. Nesse momento queria ser passageira de um dos vários aviões que cruzam esse céu todas as noites.
É egocentrismo reclamar, quase um pecado. Mas o que se pode dizer quando não se está feliz? Onde eu posso encontrar um vestígio da felicidade?
Eu estou perdida, cega diante aos fatos. Talvez uma mão amiga pudesse me conduzir até o lugar ideal, até as pessoas ideais. No momento, não tenho nada disso e tudo que tenho não possuo, pelo menos não verdadeiramente.
As coisas são areia entre meus dedos e eu sou areia entre todos os lugares que passo. Eu fico o tempo necessário, mas sempre acabo indo embora com o primeiro sopro de vento.
Eu nunca fico o tempo necessário para me envolver e, lentamente, me afasto antes de poder magoar alguém ou alguém me magoar.
Já tentei criar tantas personagens para mim, tentei adequar-me a elas e assumir suas vidas, mas nenhuma me coube perfeitamente. São como trajes mal feitos que, mesmo com uma costura forçada, não se adaptarão. Talvez eu tente novas facetas, talvez eu acabe por assumir a minha estranha personalidade.
Não sei e as palavras, antes tão fartas, agora terminaram e eu já não sei o que fazer. Se não consigo expressar-me através das palavras como me expressarei?
Há quem faça isso muito melhor e com muito mais facilidade do que eu. Ah! A essas pessoas eu invejo, mas as invejo de uma maneira amena, sinto-me orgulhosa por quem elas são, mas me deprecio porque sei que assim não serei. Assim não serei jamais.
E eu já não mais o que falar, mas eu sei que ainda há muito mais para sentir.
Muito mais para sentir e eu não sei explicar.
E eu não sei explicar.
Eu não sei explicar.
Não sei explicar.
Sei explicar?
...
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