"Quem sabe, um dia, eu não deixe de ser assim tão inconstante e instável? Até lá, sou uma nova atração a cada dia"

(Sttela Vasco)





terça-feira, 9 de julho de 2013

Sobre partidas, uma terra de sol e canções coutry.


Uma canção toca no rádio, alguém bate palmas.
Os saltos da bota traçam um risco no chão. Linha reta. Divisão.
Ela sobra e empurra os cabelos.
Shorts rasgados, uma camiseta velha. Uma versão rústica de si.
Ele cruza o horizonte e o sol transpassa seu corpo.
Assim, ao longe, parece invencível. Assim, tão heroicamente, ele se torna impossível.
Apoiada contra a porta, ela é mais um rosto que ele talvez veja pelo caminho.
Junto á linha do horizonte, ele é a coisa mais bela que ela já viu.
Talvez ele converse com Deus, porque alguém como ele deve ter um toque do divino.

Ergue a cabeça em direção ao céu, ele olha para frente.
Ela prefere vislumbrar o impossível, ele o futuro.
Suas botas riscam trilhas que serão seu futuro.
Os cascos imponentes daquela figura manchada de marrom e branco é o que o levará para longe.
Mas o longe é o lugar para onde todos vão quando tentam realmente alcançar algo.
O longe é para onde precisam ir se querem entregar sua vida por algo.
Longe é para quem quer aquilo que sua raiz não deu.
Longe é para quem ouve o vento e tenta a ele se igualar.
Ela é o perto.

Muito provavelmente ele não volte.
Quando alguém precisa ir tão distante assim, não há como voltar para o perto.
Voltar seria arriscar demais.
Ficar seria perder.
Ela é o ficar.
E, por algum outro motivo qualquer que não pode se lembrar, ela vai esperar.

(Sttela Vasco)

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